segunda-feira, 25 de maio de 2020

25 de Maio - Dia Nacional da Adoção


Faz muito tempo que não apareço por aqui. Mas, hoje, dia nacional da Adoção, resolvi escrever algo novamente. Muitas coisas aconteceram desde a última vez.
Entre elas, em maio do ano passado perdi o meu marido, o meu grande bem, metade de mim. Aquele que me completava. Aquele que sempre esteve ao meu lado, o meu grande companheiro nas lutas que tivemos, e ainda tenho que enfrentar, porque um dia decidimos abrir o nosso coração, e dividir o nosso amor  com alguém que não era do nosso sangue.
 Mas, o que é na verdade a adoção? Adoção é doação. É algo que tem que vir do coração, não apenas da razão.
Quando você adota uma criança, tem que estar disposto a abrir mão de muitas coisas. Do seu tempo, das suas prioridades, entre outras coisas.  Muitos pensam na adoção de uma maneira romântica, sonhando com criancinhas loirinhas, de olhos azuis e cabelos cacheados, uns anjinhos. Muitos acreditam que uma criança possa preencher o seu casamento, ou  até mesmo, resolvê-lo. Muitos também esperam que a criança seja tão grata por ganhar uma família, que vai ser muito educada, obediente, comportada, uma verdadeira bonequinha. E, de repente, descobrem que não é bem assim. Ela bagunça tudo,  não obedece, vira a casa de cabeça pra baixo, é respondona, é agressiva, mal educada. Ficam assustados. A família mais extensa se apavora. E agora,  o que fazer? O primeiro conselho é devolver. Mas, como devolver? Ela é uma mercadoria que veio com defeito? Tem que ser feita uma troca?  O problema é que esqueceram-se de ver o outro lado - o da criança. Por que ela está ali para a adoção? Em muitos lugares vemos que elas parecem mesmo uma mercadoria - ficam em exposição, à espera de alguém que  as escolha,  que compre a ideia de leva-las pra casa.
 Mas, por trás de cada criança à espera de uma adoção, existe uma história.  Uma história triste, cheia de traumas e cicatrizes. Se não fosse assim, não estariam ali.  Histórias de abandono. Histórias de rejeição. Algumas, sim, histórias de falta de condições da família biológica, que acaba, por amor,  abrindo mão do filho para que ele tenha melhores condições de vida. Mas, na maioria das vezes, não é essa a realidade. Muitas vezes os pais viciados, não amaram o suficiente essa criança, para abandonarem seus vícios, e acabam causando nela danos enormes na saúde física, mental e emocional  pra toda a vida. Pais irresponsáveis que parecem estar brincando de boneca com a criança. Quando estão dispostos "amam", cuidam, brincam,  se divertem juntos. Mas, basta aparecer algo mais "interessante" pra fazer, e logo a deixam de lado, pois, atrapalha seus planos.
 O dia está quase acabando, mas, não podia deixar de escrever.
 Hoje minha filha tem 17 anos, e é minha filha há mais de 12. Sofrida, rejeitada, sofrendo as consequências de decisões e comportamentos errados dos pais biológicos. Rejeitada e devolvida por duas vezes, sou a sua terceira mãe adotiva. Mesmo assim, creio que ela ainda não consegue acreditar inteiramente no meu amor por ela. Sinto sua falta. Faz tempo que vem sendo internada em hospitais e clínicas psiquiátricas por causa de sua agressividade. Num momento de surto, ela pode matar mesmo que seja uma pessoa amada. Isso me entristece. Eu a amo demais. Mas não posso ficar perto dela. Sinto não conseguir ajudá-la a sair dessa situação.
 Quando pequena, muitos a desprezaram, outros zombaram, poucos a amaram.
Ela não seria digna de ser amada?
Isso tudo me faz lembrar mais uma vez do nome deste blog: Adoção- Um Exemplo do Grande Amor de Deus.
Não quero dizer que todos têm que adotar uma criança. Na verdade, creio que Deus capacita aqueles que seguem esse caminho, que são chamados por Ele para isso.
Mas, ao pensar na minha filha, e em tantas crianças que estão pelos abrigos, lembro do grande amor que Deus tem por nós.
Ele mesmo diz, na Bíblia, que nos adotou como Seus filhos. Nós não éramos dignos desse amor, quando Ele escolheu nos amar. Nós éramos ingratos, desobedientes, agressivos até, mas, Deus nos amou. Ele não esperou que fôssemos "bonzinhos" pra depois nos amar. Ele nos amou, enquanto ainda estávamos sujos pelo nosso pecado.  E Ele deu a maior prova de amor que alguém pode dar. Deu o Seu Filho. O Seu único Filho, pra morrer no nosso lugar. Pra pagar por todas as coisas, e apagar  todas as coisas erradas que fizemos e continuamos fazendo.
 Às vezes me sinto desanimada em ver a situação da minha filha, o sofrimento dela, e o meu sofrimento por ter que ficar muito tempo longe dela. Às vezes me sinto cansada por tantos anos de uma  luta, que parece que nunca vai ter fim. Nesses momentos lembro do sofrimento de Jesus na cruz, e da dor que Deus deve ter sentido ao abandonar por algum tempo o Seu Filho, porque Ele estava carregando o meu pecado - o pecado de todos nós, e Deus não pode conviver com o pecado.
 Peço a Deus que me ajude a amá-la cada dia mais. Amá-la como Ele a ama. Como Ele me ama. E que um dia ela possa reconhecer que o meu amor é verdadeiro, de minha família é verdadeiro. Mas, que principalmente ela consiga conhecer o grande amor de Deus, o mais verdadeiro de todos,  por sua vida, mesmo que em meio a circunstâncias adversas.
"Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores." Romanos 5.8
"Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade." Efésios 1.15








segunda-feira, 2 de abril de 2018

A Dor do Abandono

Nestes dias tenho sentido uma dor enorme, por estar distante da minha filha, internada desde junho do ano passado em um Hospital Psiquiátrico, pela segunda vez,  e neste fim de semana nem poder vê-la por conta dos surtos que voltaram com maior frequência e intensidade nos últimos dias.
Meu coração está dilacerado.
Não poder ver minha filha, abraça-la, beija-la, dizer que a amo muito.
Saber que ela está sentindo falta também do nosso abraço, do nosso carinho e do nosso amor. Tudo isso dói demais.
Pensando nisso hoje de manhã, comecei a imaginar a dor muito maior que Deus sentiu no momento em que seu Único Filho, seu Filho Amado, o Senhor Jesus Cristo, carregou na cruz todos os nossos pecados.
 Claro que em proporções muito maiores, assim como temos que ficar separados de nossa filha tão querida, por conta dos seus surtos, o nosso Deus teve que ficar separado de seu Filho, por conta dos nossos pecados.
Assim como não podemos nem mesmo ver nossa filha, Ele não pode olhar para o Seu Filho, na cruz, por causa do meu pecado, e o de todos.
Da mesma maneira como nossa filha deve estar se sentindo abandonada, por não receber a nossa visita neste fim de semana,  Jesus sentiu o abandono de Seu Pai por alguns instantes.
A dor deve ter sido cruel. Tanto para o Pai, quanto para o Filho.
Mas, da mesma maneira como Deus ressuscitou Jesus ao terceiro dia, e hoje Ele está vivo, e para sempre, a minha oração, a minha súplica, é que Deus tenha misericórdia de minha filha, e lhe dê uma vida nova. Que ela também conheça e entenda não apenas o nosso amor por ela, mas, principalmente o amor maior de todos, o do Senhor Jesus, que entregou a Sua vida para dar a ela, e a todos nós, uma nova vida, uma vida abundante, não de bens materiais, mas, de bens que o ladrão não pode roubar, e a traça não pode destruir, uma vida eterna, plena, que dura para sempre.
Muitos acham que eu deveria desistir de minha filha, pois, "nem do meu sangue ela é"!!
E seu Deus pensasse assim a nosso respeito?
Deus deu o Seu Filho, por nós, que vivemos em constante "surto" de pecados.
Deus abriu mão do Seu Filho, de certa forma, por algum tempo, por amor a nós.
E, por isso, hoje somos seus filhos, por adoção, como diz Romanos 8.15: "Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os torna filhos por adoção, por meio do qual clamamos: “Aba, Pai”."
Se não fosse assim, não teríamos como ter a possibilidade de fazermos parte da família de Deus.
Não há amor maior do que esse!!!
Sou grata a Deus, e continuo esperando o dia em que nossa filha poderá também agradecer a Deus por tão grande amor.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A Ovelha Perdida


Depois de tanto tempo de silêncio, volto a falar novamente hoje, sem saber, porém, se alguém me "escuta".
 E volto a um tema recorrente, que já tratei no passado, mas, que continua em meu coração: a ovelha perdida.
 A parábola contada por Jesus fala de um pastor que possuindo 100 ovelhas, tendo perdido uma, deixa as outras 99 e sai em busca da que se perdeu. As outras 99 não eram importantes? Certamente que sim, porém, estavam seguras dentro do aprisco, sob sua proteção.
A que se perdeu era menos digna da sua atenção, por ser, talvez, mais levada, mais independente? Penso que não. Pelo contrário, penso que ela precisava ainda mais do seu cuidado do que as outras 99.
Certamente a busca não foi tão fácil. O pastor pode ter arriscado sua vida, correndo riscos, encontrando dificuldades, talvez enfrentando algum sofrimento até encontrá-la. Mas, valeu todo o sacrifício. Ele a encontra, e a leva para casa, alegrando-se com seus amigos por isso.
 Penso novamente em minha filha: com certeza uma ovelha perdida. Mas, também certamente, carente da graça e do amor de Deus, como qualquer um de nós. Então, por que é tão difícil dispor o coração a buscá-la, como o pastor da parábola? Por que não se tem a disposição de enfrentar as dificuldades, os problemas, os sofrimentos para alcança-la?
 Continuo pedindo a direção de Deus, para cumprir a Sua vontade. Continuo clamando pela vida dela, para que em breve conheça o Bom Pastor que deu Sua vida por ela. Continuo clamando a Deus por sua cura e restauração completa, se assim for da Sua vontade.
Mas, independente da cura ou não, peço a Deus que me dê sempre um coração pronto a amá-la, como Ele nos ama,  e buscá-la, até que um dia, possa, junto com os amigos, me alegrar por ter minha filha enfim, encontrado o Senhor Jesus - O Bom Pastor.

domingo, 17 de março de 2013

Ensina-me

Ouvindo e cantando esse cântico hoje, pensei muito em minha filha. É a minha oração, Senhor. Ensina-me... Amém

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Como Ovelhas Perdidas


Ovelha Perdida ...

Vendo ele (Jesus) as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor. 
Mateus 9:36
"Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida, até encontrá-la?
 E quando a encontra, coloca-a alegremente nos ombros e vai para casa. Ao chegar, reúne seus amigos e vizinhos e diz: 'Alegrem-se comigo, pois encontrei minha ovelha perdida'". Lucas 15. 4-6

Hoje, quando olho para minha filha, vejo-a como uma ovelha perdida, andando desgarrada e errante como diz o texto bíblico. Tendo já sido filha de tantas "mães" diferentes. Morado em tantos lares diferentes. Tendo tantos "irmãos" diferentes... Separada daqueles que são seus irmãos de sangue, de verdade... Tantas regras, tantos costumes, tantos conceitos, tantos princípios diferentes... 
 Já são quase cinco anos que ela faz parte de nossa família, mas, talvez pra ela isso não queira dizer nada. Como disse alguém, certa vez: A experiência que ela tem de família é que "se não der certo, devolve". Quer dizer: se não der certo nesta família vou para outra, e outra, e outra... Por isso acho que ela ainda está perdida, sem saber se pode confiar em nós ou não. Perdida em busca de amor verdadeiro e afeto que lhe faltaram quando era menor. Perdida sem conhecer ainda, de verdade, aquele que È amor - o nosso Senhor.
 Clamo a Deus por sua vida, para que ela conheça o amor do Bom Pastor, o Senhor Jesus, que deu a Sua vida também por ela. Aquele que pode olhar pra ela e compadecer-se dela, como ninguém mais pode. Aquele que pode transforma-la em uma nova criatura, e lhe dar uma vida plena, completa, feliz.
 Quando olho para o segundo texto, me imagino no lugar desse pastor que deixa tudo e vai atrás de sua ovelha perdida, e quando a encontra, a coloca nos ombros e vai para casa, e dá uma festa... Como almejo ver esse dia, Senhor!! 

domingo, 16 de setembro de 2012

Porque me amou tanto assim - Crianças Diante do Trono

 Aniversário triste hoje.
 A vida é feita de escolhas. Algumas fáceis, outras, muito difíceis...
 Por que tem que ser assim? Por que temos que abrir mão de algumas coisas, ou pior ainda, de pessoas tão amadas e queridas, em favor de outras... Por que não podemos ficar todos juntos???
 Por que temos que pagar um preço tão alto, por escolher amar alguém que, aos olhos de todos, não é digna do nosso amor e do nosso cuidado?
 Se Deus pensasse assim, o que seria de nós?  Estaríamos perdidos para sempre, pois, somos completamente indignos de tanto amor e de tanto sacrifício. Somos pecadores, desagradamos a Deus, e desobedecemos às suas ordens.
Mas, mesmo assim Ele não desistiu e não desiste de nós... Continua nos amando e cuidando de nós a cada dia, a cada instante.
 O Seu amor é tão grande, que abriu mão de Seu Filho, entregando-O pra morrer na cruz no nosso lugar - pecadores  indignos. Imagino o quanto doeu tomar essa decisão em nosso favor...
Mas, mesmo assim, Deus levou o Seu plano de salvação até o fim, POR AMOR A NÓS... "Na cruz, Jesus me amou, até o fim"
Obrigada, Senhor!!!